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Projeto de Leitura do Colégio Xingu promove reflexão sobre o voto e a cidadania

Texto: Miriam Gimenes

O que é o voto? O que significa exercer a cidadania? Como conviver com opiniões diferentes das nossas? A partir da próxima semana, essas e outras perguntas farão parte das conversas dos estudantes do Colégio Xingu. É que entre os dias 21 e 25 de setembro, a escola realizará o projeto ‘Educação para o Voto e Cidadania’, proposta que utiliza a leitura como ponto de partida para discutir democracia, participação social, direitos, deveres e respeito à diversidade de ideias.

Desenvolvido para ocorrer nas aulas de Biblioteca, o projeto foi construído durante três meses por uma equipe formada pela diretora Viviane Gonçales Passarini, pelo professor de Convivência Ética Bruno Augusto Faria - que tem formação em História -, pela coordenadora de Língua Portuguesa, Mileny Beccaria Vasconcellos, e também pela professora responsável pela Biblioteca, Lays Ruanny da Silva Nascimento. O grupo selecionou e organizou um acervo de livros e jornais com conteúdos adequados às diferentes faixas etárias. “Tivemos essa tarefa coletiva da construção de uma caixa com acervo interessante, cuidado, sobre a temática das eleições voltada para uma educação para o voto e para cidadania”, conta Viviane.

Mais do que explicar o funcionamento das eleições, a intenção é criar um espaço para que as crianças possam pensar sobre o significado de participar da sociedade, porque o projeto trabalhará conceitos que fazem parte da formação cidadã. “A questão não é o foco no partido, candidato, mas levar as crianças a pensar o que é o voto, o que significa exercer a cidadania, o que é uma eleição, a importância de conhecer e refletir antes de fazer uma escolha”, explica a diretora.

Para Bruno, a conversa sobre cidadania começa muito antes do voto e está presente em situações cotidianas, como a construção das regras da turma, a divisão de responsabilidades e o exercício de ouvir o outro. Nas aulas de Convivência Ética, essas experiências são trabalhadas e ajudam a desenvolver, desde cedo, a compreensão sobre o coletivo e a responsabilidade de todos por aquilo que pertence ao grupo.

É nesse ponto que a literatura entra como uma ponte entre conceitos complexos e o universo infantil. “Quem lê, questiona, e quem questiona, transforma”, afirma Bruno. Para ele, por meio das histórias, ideias como democracia, leis, direitos e deveres deixam de ser apenas conceitos abstratos. “Em vez de apenas decorar definições teóricas, a criança vivencia essas situações por meio da empatia com os personagens”, explica. A leitura,  portanto, abre espaço para que os estudantes compreendam diferentes situações e percebam que as ações individuais também produzem consequências para a coletividade.

Aprender a ouvir

Após a leitura, as turmas serão convidadas a participar de uma roda de conversa, em que poderão fazer perguntas, compartilhar suas impressões e relacionar as histórias com situações do cotidiano. A ideia é abrir espaço para a reflexão, sem a necessidade de chegar a uma conclusão uníssona. “Queremos que todos sejam críticos, conscientes, que consigam respeitar e dialogar”, afirma Viviane.

A dinâmica faz coro com outras práticas já presentes no Xingu, como as Assembleias de classe e os Conselhos de Estudantes e Responsáveis. Para Bruno, essas experiências ajudam a desenvolver a capacidade de argumentar, ouvir e conviver com opiniões diferentes. “Isso possibilitará que eles compreendam que ideias são diferentes de pessoas e que você pode ‘atacar’ e desconstruir uma ideia sem que a outra pessoa seja abalada.”, afirma. É nesse exercício cotidiano que, para o professor, a cidadania ganha sentido. “O voto é apenas um evento que ocorre a cada dois anos, mas a convivência e a cidadania operam a cada segundo em todas as relações”, finaliza. Um aprendizado importante de se adquirir cedo para ecoar por toda vida.